Sistemas móveis sob ameaça – Marketing Mobile deve pensar na segurança antes de lançar uma campanha com uso de dispositiveis móveis
Aumento do número de operações comerciais e financeiras via celulares e PDAs alerta para a necessidade de proteção de plataformas sem fio» continuação da página 2
Um novo campo para fraudes bancárias e roubo de dados está se abrindo com o avanço da internet móvel e a multiplicação de aplicativos de comércio eletrônico e transações financeiras em celulares e PDAs. E o Brasil, que ainda engatinha na internet em banda larga, e por isso mesmo não sentiu no bolso os ataques a plataformas móveis, pode ser um dos principais alvos de cibercriminosos ainda este ano. De acordo com o gerente de novos negócios da SafeNet, Paulo Viana, o barateamento dos aparelhos e a rápida adesão aos planos 3G devem aumentar drasticamente o número de casos de invasão, vírus e phishing em celulares.
“Os usuários são pouco conscientes e a rede é frágil. Ainda não aconteceu uma tragédia porque a internet 3G e seus aplicativos são pouco usados no Brasil. Mas ao longo de 2009 vai surgir uma imensa quantidade de serviços e com certeza este será um ano crítico para a segurança da informação”, afirma Viana. O executivo acredita que o barateamento e a popularização dos aparelhos de terceira geração também influenciarão a incidência de ataques.
Globalmente, as ameaças já são consideradas um problema grave. De acordo com um estudo da fabricante de antivírus McAfee, no ano passado, foram reportados mais de um milhão de ataques a telefones móveis no mundo, um número que só tende a crescer. “Coletamos esses dados com os fabricantes, mas o número pode ser ainda maior. É muito preocupante, porque se trata de um serviço novo e não percebemos os usuários muito preocupados ainda”, comenta o gerente de suporte tecnológico da McAfee, José Matias.
“Há muitos ataques por SMS, MMS e até invasões por bluetooth. E é mais sério porque tudo isso é uma novidade, portanto, é bem mais fácil ludibriar os usuários”, conta Matias. Ainda de acordo com o estudo, a maior preocupação para 80% dos fabricantes de celulares é justamente com a segurança do usuário que utiliza o aparelho para pagamentos e aplicações bancárias. A pesquisa revela também que 75% deles acredita que o custo com a segurança deve ser arcado pelas próprias companhias.
Segundo o gerente de segurança da empresa americana especializada no setor TippingPoint, Terri Forslof, os usuários de smartphones estão vulneráveis ao mesmo tipo de ataque dos PCs. “Dada a baixa capacidade de processamento dos smartphones, os principais ataques são phishing, roubo de identidade e fraude, semelhante ao que ocorre com usuários de PCs”, compara.
Forslof conta que a empresa patrocina uma competição hacker chamada Pwn2Own, cujo objetivo este ano é quebrar as barreiras de segurança do smartphone Blackberry, um dos mais usados do mundo. “Smartphones têm recebido bem menos atenção no que se refere a riscos de segurança de dados. Sabemos que os ataques evoluirão com os seus usuários-alvo, então temos que evoluir rápido”, diz.
Apesar do alarme, a ameaça ainda não é sentida pelos brasileiros, que conhecem a tecnologia 3G há pouco mais de um ano e ainda não incorporaram em seus hábitos de compra o Mobile Payment, sistema que faz de qualquer celular um cartão de crédito. “Ainda são poucos os problemas com Mobile Payment porque a base ainda é muito pequena, inclusive de pessoas propensas a usar as ferramentas e aí o custo-benefício para o malfeitor é inviável”, diz o líder do programa de segurança empresarial da Unisys Brasil, Leonardo Carissimi.
“É cedo para falar em segurança para essa plataforma no País. Ainda estamos tentando juntar e-commerce com mobilidade”, acrescenta o porta-voz do Google, Carlos Félix Ximenes. No Brasil, as ferramentas que garantirão esse recurso ao sistema operacional para celulares da empresa, o Android, ainda estão sendo desenvolvidas. E assim como acontece em desktops, a vulnerabilidade também é o usuário.
O gerente de segurança da Microsoft Brasil, Djalma Andrade, acredita que mesmo com o aumento da base de usuários e, consequentemente, o número de ataques a celulares, a chave da segurança é o internauta. “Acredito que capacitando o usuário, ele terá uma boa experiência de uso, mesmo com o aumento de ameaças”, comenta. Resta saber se o internauta da era mobile será mais precavido que o do desktop.(J.W.)
Brasileiro paga + pelo uso do celular, diz UIT
O consumidor brasileiro é o que paga mais caro pelo uso de telefone celular entre usuários de 154 países, com base no critério de Paridade de Poder de Compra (PPC). Também desembolsa bem acima da média mundial pelo telefone fixo e para se conectar à internet. A conclusão é da União Internacional de Telecomunicações (UIT), com base em índice que compara o desenvolvimento em tecnologia da informação e comunicação (TIC) em 154 países, entre 2002 e 2007. O Brasil ficou na 60ª posição, no levantamento mais recente, e perdeu seis lugares no período. Em acesso aos serviços, caiu 13 posições e no uso de TIC, caiu sete. O Brasil, segundo a UIT, melhorou muito pouco” no conhecimento e na capacidade para explorar novas tecnologias de maneira eficiente e efetiva. A entidade exemplifica com a penetração de apenas 30% da banda larga no setor terciário, contra mais de 60% na Argentina. Por uma “cesta de preços de celular” (inclui o custo mensal da assinatura, 25 chamadas por mês e 30 torpedos), o Brasil tem o custo mais elevado, com US$ 44,2 medidos pelo PPC. É três vezes mais que o valor médio pago pelos consumidores de países industrializados e em desenvolvimento. O custo do minuto local de celular em 2008 no horário de pico era de US$ 0,92 em termos de PPC, quase o dobro do que pagam os vizinhos argentinos (US$ 0,52), muito mais que os indianos (US$ 0,07) e os alemães (US$ 0,06). Os brasileiros continuam a substituir o telefone fixo pelo celular. Mas quem mantém linha fixa paga US$ 34,8 pela assinatura mensal e por 30 chamadas locais. É o dobro da média dos outros países em desenvolvimento e bem acima do que se paga nas nações ricas. Para usar banda larga, o preço básico chega a US$ 56,5 mensal em termos de PPC, o dobro da média dos países desenvolvidos. As informações são do Valor Econômico, leia aqui.








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