O MipTV acontece em abril e em outubro, o MipCom. Ambos os eventos, organizados pela Reed Midem, têm como foco principal a venda de conteúdo audiovisual para emissoras de televisão. Porém, na edição deste ano, os organizadores estão percebendo que os compradores e vendedores tradicionais estão dando lugar a novos interessados. São agências de publicidade, anunciantes e empresas de tecnologia em busca de conteúdos e formatos sob medida para as novas mídias em oferta no mercado, principalmente celulares, computadores móveis, iPTV (Internet over Protocol Television) e equipamentos portáteis, todos com tela de tamanho menor.

Além dos formatos com possibilidades de convergência e interatividade com suas audiências, o MipCom 2008, agendado para o Palais des Festivals de Cannes, de 11 a 16 de outubro, vai atrair anunciantes interessados no patrocínio de conteúdos audiovisuais exclusivos, forma que está sendo muito bem vista para ações institucionais de marcas, produtos e serviços.

Essas novas opções garantem um crescimento de 10% para o evento que movimenta US$ 10 bilhões, atrai 15 mil delegados e tem mais de 400 stands de emissoras de televisão, produtoras e players independentes de todo o mundo.

O merchandising convencional não atrai mais como antes os anunciantes, sobretudo pela rejeição em alguns núcleos de consumo. O objeto de desejo é a exibição de forma natural como se fosse parte integrante do roteiro. Um exemplo é a ação da General Motors no programa “O Aprendiz”, com Donald Trump. Os participantes do reality show foram estimulados a criar um folheto promocional para a montadora. Com esse apelo, a GM cresceu o volume de vendas. A MTV, em parceria com a Hewlett Packard, desenvolveu nos Estados Unidos a ação “Meet or delete” na qual uma mulher busca parceiro ideal. Sucesso de convergência e interatividade. No Brasil, o bombom Sonho de Valsa foi integrado ao roteiro do programa “Casos e acasos”.

“O comercial de 30 segundos ainda é muito desejado, mas há um visível aumento de interesse por outros formatos para veiculação de publicidade. As novas mídias, como celulares e computadores móveis, por exemplo, têm aspectos diferenciados relacionados à interatividade e convergência e, portanto, precisam de conteúdos apropriados às suas plataformas. Não posso precisar o crescimento, mas este ano o MipCom vai ter volume muito grande de interesse por audiovisual para esses meios gerados pela era digital”, explicou Paul Zilk, presidente da Reed Midem, que esteve na semana passada no Brasil para visitas às redes Globo e Record, tradicionais clientes do evento, e participar da reunião do Emmy Awards.

“A Globo faz mais de 200 reuniões para a venda de suas novelas para o mercado mundial. Seu stand ocupa 300 metros dos 20 mil disponíveis. O Brasil chama a atenção pela sua criatividade, especialmente pela boa aplicação de merchandising social. Os agentes internacionais querem saber como a emissora trabalha esses projetos”, acrescentou Zilk.

Os reality shows e a chamada programação verde também vão ter destaque no MipCom. Foi nesse evento que a holandesa Endemol comercializou pela primeira vez o programa “Big Brother”. “A consciência ambiental está revelando o interesse por programas com apelo “green”. E existem canais de mídia como o Discovery, por exemplo, que pautam sua programação com esse tipo de conteúdo”, argumentou Zilk.

Na avaliação do presidente da Reed Midem, a produção audiovisual para televisão vive momento de grande ebulição. Os mercados emergentes como os países formados pelo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) não abrem mão de assistir à TV. “Não é por outro motivo que o MipCom vem anotando crescimento todos os anos. A busca no momento é por novidades, mas o audiovisual permanece como produto de grande curiosidade”, explicou o principal executivo do MipCom.

Independente
A ABPI (Associação Brasileira de Produtores Independentes) vai marcar presença no MipCom 2008 com stand próprio e participação de 15 produtoras.

Fonte: Propmark
17/09/2008

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