Banda larga popular é essencial
Publicado em 01.07.2009 – Cad de Informática JC

Barateamento do custo da internet rápida passa pela desoneração fiscal, ampliação da cobertura dos serviços e licitação de novas frequências

MACEIÓ – Qual o papel das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no atual momento de crise? Segundo o estudo Brasil Digital – Alavancando TIC para Estímulo Econômico, a responsabilidade do setor com o desenvolvimento do País passa por quatro eixos: prover crescimento econômico, bem-estar social, qualidade de vida e serviços públicos. A ponte para onde convergem todas essas estradas chama-se banda larga. Não por acaso, ela ocupa posição crucial entre as recomendações da pesquisa e se tornou mantra da Intel durante o Editor’s Day. “É preciso ter um projeto de banda larga popular, que se concretiza com apoio e subsídio fiscal, especialmente para a população de baixa renda. Hoje, 93% dos usuários são das classes A e B”, diz o diretor do programa World Ahead da Intel, Cássio Tietê.

Uma das formas de barateá-lo, sugere o levantamento da Brasscom/Booz&Co, é reduzir a incidência tributária (ICMS dos governos estaduais mais PIS e Cofins do federal). A medida também se aplica à compra de micros, com o acréscimo da oferta de linhas de crédito. Outra providência é a disponibilização de backhaul e última milha para expandir a cobertura da rede. Isso inclui a regulamentação de modelos alternativos de prestação de serviços, como os das operadoras móveis virtuais (MVNOs), que contratariam serviços das concessionárias de telecom para oferecer conexão em localidades não atendidas de forma ideal pelas companhias.

A aceleração dos processos regulatórios passa, ainda, pela licitação das frequências necessárias (2,5 GHz e 3,5 GHz) para oferta de novas modalidades de acesso à banda larga fixo/móvel. Nesse ponto, a Intel defende com unhas e dentes a tecnologia Wimax, lançada em 2003 e já empregada em projetos pilotos de cidades digitais, como Tiradentes (MG) e Piraí (RJ).

De acordo com o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Martins, o Brasil só deverá fazer uma nova licitação para a venda de licenças de banda larga no início do próximo ano. O secretário admite que as redes disponíveis hoje no País mostram “esgotamento”. Isso associado ao crescimento da demanda pode apressar a licitação.

Atualmente, o padrão Wimax trava uma disputa com o LTE (Long Term Evolution), pelo mercado de quarta geração de banda larga móvel, cuja velocidade poderá chegar a 50 Mbps, enquanto a média hoje é de 1 Mbps. Em linhas gerais, o LTE é defendido pelas operadoras de telefonia celular, enquanto o Wimax é a menina dos olhos de fabricantes como a Intel e provedores de serviços de dados, como as TVs por assinatura. “Se a necessidade é a mãe da invenção, o Wimax é o pai da LTE. Precisamos de banda larga agora e não a longo prazo. A tecnologia tem quatro anos de maturação e está disponível agora. Há 150 dispositivos certificados. O maior entrave para o Wimax é o forte lóbi 3G”, ataca o Fellow do Grupo de Mobilidade da Intel, Siavash Alamouti.

O executivo sustenta que já existem netbooks usando chips híbridos wifi/Wimax. A evolução deles será a integração em um único produto de wifi, Wimax, bluetooth e GPS. “Os dispositivos vão custar menos com Wimax, porque o chipset é 65% mais barato. Independente da concorrência, defendemos o direito do Wimax de existir. Quanto mais multimodal, maior competitividade, melhor preço e benefício social”, completa Cássio Tietê.

E se o objetivo é popularizar a banda larga, não se pode ignorar a função das lan houses nesse processo. O País conta hoje com mais de 60 mil delas. O estudo da Booz&Co prevê o desenvolvimento de um modelo de negócios sustentável para esses espaços, que proveem acesso a mais de 28 milhões de pessoas, mas têm alta taxa de mortalidade.

A alternativa proposta é o iCafé, modelo de franquia que contaria com investimento privado, no entanto, sem o pagamento de royalties. Desenvolvida pela Microsoft, Intel, Inter-American Development Bank (IADB) e Fundação Bradesco, a ideia é transformar as lan houses em centros de serviços, de impressão a cursos online.

Para acelerar o crescimento sustentado também no ambiente corporativo, propõe-se a capacitação das médias e pequenas empresas em TIC, com o apoio do Sistema S. O levantamento constatou que 25% das 5,5 milhões de PMEs brasileiras não têm computador nem acesso à internet e 57% só dispõem de um PC. Metade não utiliza a web para aumento de produtividade. Outra medida voltada ao empresariado seria a desoneração da folha de pagamentos de exportadoras de software e serviços, com a regulamentação da Lei 11.774.

Por fim, o governo é cobrado a estabelecer uma agenda pró-ativa de investimentos em TIC, expandindo o programa de e-gov e digitalizando as cidades, entre outras ações. “Esperamos que esse compromisso comece com a criação de grupos de estudo para aprofundar a pesquisa”, salienta Cássio Tietê. A conferir.(M.L.D.)

http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/07/01/not_337080.php

Anúncios