Publicado em 19.08.2009

Metas para os próximos dez anos incluem, entre outras, consolidação como referência em softwares para indústria criativa, além de aproximação com arranjos produtivos locais

Jacques Waller

jwaller@jc.com.br

O Porto Digital já definiu seu novo conjunto de metas para os próximos dez anos. O planejamento estratégico da instituição, que expira este ano, será substituído por novas diretrizes que refletem o estágio atual do polo local de TI. De acordo com o presidente do Porto Digital, Francisco Saboya, alguns dos objetivos antigos serão deixados de lado e outros serão continuados. O novo plano também reflete um desejo recente do Porto, de se alinhar com a indústria cultural.

Uma das metas é, segundo Saboya, “consolidar o Recife como polo de referência nacional na economia criativa”. “Não estamos falando de cultura popular, mas cultura contemporânea em todos os aspectos. Não há um único segmento cultural hoje que não utilize algum componente de software. Não que queiramos transformar o Porto numa instituição de promoção cultural, mas queremos andar junto com essa indústria”, afirma.

Para isso, Saboya revela que o Porto está investindo na aquisição de equipamentos voltados para as áreas de design, animação e prototipagem, justamente para se aproximar do setor. “Temos coisas boas vindo. Estamos adquirindo máquinas de prototipagem rápida e scanners 3D que podem fazer captura de movimentos. Todas as grandes propagandas atuais usam algum elemento de animação que precisam disso”, comenta.

As demais metas são a reavaliação e revalidação das metas do plano anterior, consolidação do Porto como centro de excelência de softwares e integração entre o setor de TI e os demais setores da economia tradicional, este último sustentado pelo projeto do Porto Desembarca, que levará as empresas do polo aos arranjos produtivos locais (APLs). Segundo Saboya, o plano entra em vigor no fim deste ano.

SELO

O Porto Digital deu o primeiro passo, na última quarta, para a obtenção do selo de Indicação de Origem (IG) do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). Na ocasião, a organização recebeu a coordenadora geral de Outros registros e indicações geográficas, Lúcia Regina Fernandes, que apresentou o conceito de IG aos empresários locais. A palestra é parte obrigatória do processo de certificação.

Segundo a coordenadora, uma IG aumenta o valor dos produtos, fideliza os clientes e cria uma espécie de grife que, além de marcar a qualidade do que é produzido, incorpora a imagem do local onde ele foi desenvolvido. Também de acordo com ela, o Porto pode ser a primeira instituição do mundo a receber uma IG para serviços. O selo é tradicionalmente vinculado a vinhos, queijos, tecidos e outros produtos manufaturados.

Segundo Saboya, os requisitos para que empresas receberam o selo, caso o projeto seja aprovado pelo Inpi, incluem: ISO 9000, um mínimo ainda não estabelecido de funcionários certificados, manter programas socioambientais e política de pós-venda, entre outros. O processo de requisição é de um ano.

Fonte JC

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