Por Andrew Hovells*

Como muitos planejadores que conheço, nunca tive a intenção de ser planner. Foi algo que acabou acontecendo. Depois de me formar e ganhar um bom dinheiro como personal trainer, eu tinha a vaga ideia de que queria trabalhar em uma agência de propaganda. Comecei na criação, não dei certo, e percebi que era muito melhor para pensar do que para executar. No entanto, mesmo tendo trabalhado em locais que tinham planejadores, eu não sabia direito o que eles faziam. Tive uma sensação de que, seja lá o que eles realmente faziam, parecia ser o que eu queria pra mim.

Então, a primeira razão por eu trabalhar com planejamento é que aconteceu naturalmente.

A segunda é que não há nenhuma outra função na agência em que eu seja bom.

Porque, apesar das longas horas de trabalho, do stress, do salário baixo em relação aos outros profissionais, você não tem só contato com a mesma cor, com a mesma cultura e com as mesmas pessoas.

Porque você nunca para de aprender. Se você para de se mover adiante, vira história. O planejamento tem tudo a ver com cultura e pessoas, que nunca param de desenvolver e de mudar e, então, há sempre algo novo para aprender, mesmo se você for global, executivo, emérito, deus do planejamento e do universo.

Porque dá sempre um medo no início de cada projeto, perguntando a si mesmo o que fazer. Não há nada como o momento em que você percebe que desvendou algo.

Porque você nunca acaba algo. Você sempre pode melhorar o que está fazendo, e sempre se pergunta se não há um jeito melhor. É, ao mesmo tempo, frustrante e dá uma sensação de liberdade.

Porque você é parte de uma subcultura global – blogar é algo fantástico. Os planners são pessoas legais, generosas e interessantes. E blogar tem me colocado em contato com todo tipo de planejador e aprender com eles, mesmo sem conhecê-los pessoalmente.

Porque estamos na época mais empolgante para se trabalhar com planejamento. A publicidade está uma bagunça – há dinossauros que conseguem falar apenas em proposições únicas e anúncios de TV, mas há também jovens ousados tentando deixar de lado as coisas ruins, aproveitar as boas, e revolucionar a forma de se comunicar. Eu sempre defendo que os planners devem estar à frente dessas escolhas. É ótima a sensação de liberdade que é poder fazer literalmente qualquer coisa em resposta ao brief do cliente, mas às vezes não há nada mais limitador do que escolhas sem limite.

Porque eu sou capaz.

*Andrew Hovells é planner da TBWA Manchester.

 

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