Consumo em supermercados cresceu, indiferente à crise. Saiba mais neste artigo.

As análises pós-crise econômica mundial continuam ocupando espaços na mídia. Marolinhas e tsunamis à parte, o Brasil apresenta números bastante alvissareiros e já se vislumbra a verdadeira bonança.

Bolsa de Valores batendo recordes, nível de emprego retomando patamares do momento pré-crise, mais investimento na indústria, pré-sal, Copa do Mundo de 2014…

Estamos vivendo uma safra de boas notícias, o que é muito bom – também – para quem depende diretamente dos investimentos de marketing. Quem sabe agora as verbas de comunicação e marketing cresçam e deem uma nova turbinada ao setor? Mas, voltando às inevitáveis análises pós-crise, há um setor que se destacou positivamente durante todo o período e praticamente permaneceu incólume aos problemas econômicos.

Refiro-me ao setor de autosserviço, que em nenhum momento deixou de apresentar números positivos. De uma maneira geral, o consumo em supermercados cresceu, e continua crescendo, indiferente à propalada crise.

Nos últimos 12 meses, o crescimento, segundo a Abras, foi próximo de 12% (6%, se excluirmos a inflação). Um negócio que movimenta perto de R$ 160 bilhões no Brasil, e que envolve aproximadamente 76.000 lojas (186.000 checkouts). Numa análise mais apurada do fenômeno, não fica tão difícil entender o porquê da ampliação do consumo nos supermercados.

Na verdade, o que aparentemente ocorreu foi uma retração do consumo, principalmente de alimentos, fora do lar. Nos EUA, estima-se uma queda de mais de 30% no movimento de bares e restaurantes. No Brasil, a queda foi menos acentuada, porém sentida na fase mais aguda da crise.

Como compensação, o consumo das famílias no lar cresceu na mesma proporção, garantindo assim o bom nível de compras nos supermercados. E o que se observa agora, com um horizonte mais otimista e um aumento da renda das famílias, é um incremento, não só de volume, mas também qualitativo.

Itens não pertinentes da cesta básica, mais sofisticados, começam a voltar aos carrinhos de compras. Só no primeiro semestre deste ano, o consumo de bebidas alcoólicas cresceu 6,7% e de não alcoólicas, 5,6% (dados da Abras). Ou seja: estamos também bebendo mais (não sei se para comemorar ou se para esquecer…).

A participação de lojas maiores também cresce (principalmente nas de 20 a 50 checkouts). Enfim, toda essa exuberância de números nos leva a um olhar ainda mais atento ao varejo de autosserviço. Toda aquela atenção que já vinha sendo dada ao PDV, como elo final da corrente de consumo, mostra-se mais do que merecida e passível ainda de um aumento.

Se pesquisas recentes, feitas pela Ampro, indicavam um crescimento de atenção por parte das empresas e uma consequente migração de verbas de marketing para ações no PDV, a performance atual do autosserviço deve causar um efeito ainda mais marcante nesse sentido. Como consequência, veremos o trade marketing ganhar maior peso nas organizações, conquistando mais espaço e recursos.

De um modo geral, as relações entre produtores de bens e o canal de supermercados já vêm mudando e devem ganhar processos mais sofisticados do que simplesmente a negociação de compra-venda. Ao invés de empurrar produtos para o varejista, a tônica deverá ser a elaboração de planos ganha-ganha, visando ao melhor entendimento e atendimento de novas demandas de um consumidor cada vez mais exigente, mas, também, mais receptivo a novidades.

É previsível também um incremento na procura por promotores de PDV, além do desenvolvimento de ações e materiais promocionais específicos para os supermercados.

Em evento da Abre, na semana passada, ouvimos Sussumo Honda, presidente da Abras, enfatizar ainda a importância da embalagem como elemento de atração e conquista de consumidores no momento crucial de decisão de compra. Ou seja, há uma extensa gama de produtos e serviços que deve se beneficiar desse bom momento, na esteira do crescimento de atenção nas ações de supermercados.

O varejo já vem liderando o ranking de anunciantes e, em conjunto com fornecedores, tem tudo para continuar a ser uma das mais importantes arenas de marketing.

 

Por Alexis Thuller Pagliarini
Fonte: PropMark (
www.propmark.com.br)
HSM Online
25/09/2009

 

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