Há 20 anos era realizada a primeira eleição presidencial do País pós-ditadura

Por Jonas Furtado

http://mmimg.meioemensagem.com.br/galeria/peq_brizola_menor.jpg 

Há 20 anos era realizada a primeira eleição presidencial do País pós-ditadura. Em 15 de novembro de 1989, as urnas do 1° turno indicaram que Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva disputariam a presidência em dezembro. A restrição da disputa a dois candidatos de perfis e ideologias tão distintas movimentou de forma única as esferas da sociedade. A comunicação, em todas as suas nuances, não ficou de fora do debate, nem imune às transformações.

Da mesma forma que os eleitores reaprendiam sobre os processos da democracia, os institutos de pesquisa quebravam a cabeça para construir amostragens com representatividade nacional, a imprensa exercitava práticas que contemplassem a imparcialidade e os marqueteiros experimentavam fórmulas de construção de imagens dos candidatos. O acontecimento, no entanto, era de tamanha importância histórica que, emocionalmente, era impossível não se manifestar de forma individual.

Em sua edição de 27 de novembro de 1989 (Ano XIII, n°385), o Meio&Mensagem publicou matéria sobre a preferência dos profissionais do mercado publicitário. Sob o título "O mercado se divide entre Collor e Lula", a matéria – assinada por Regina Moldero – apontava uma variedade de opiniões e uma constatação unânime: era preciso incluir no mercado consumidor a grande massa de trabalhadores que não tinha acesso aos produtos que a propaganda anunciava. Qualquer semelhança com a atual ascensão das classes C e D na cadeia de consumo não é mera coincidência.

Para o então presidente da Lintas, Ivan Pinto, que dizia-se indeciso quanto ao seu voto, o programa de Collor era o que melhor traduzia a necessidade de modernização do País. "Diante da rapidez brutal que o avanço tecnológico atinge hoje no Primeiro Mundo, o Brasil não pode seguir contra o rumo da História. A proposta de Collor apoia a modernização liberal, enquanto a esquerda ainda acredita em mudanças ditadas há 70 anos, hoje refutadas na Europa Oriental. Não podemos fechar os olhos às experiências de Berlim e da Checoslováquia", argumentou.

Presidente da Better Comunicação na época, Carlos Alberto Parente mostrava receio com o discurso do PT. "A tendência estatizante do PT assusta o empresariado e portanto reduz a atividade da propaganda num primeiro momento. O capital estrangeiro também sente receio das posições mais duras do PT, e o momento agora do Brasil é de se posicionar como país de riquezas e não como república das bananas", criticou.

Mas foi Luís Grottera, superintendente da Grottera & Cia, quem melhor resumiu o dilema dos profissionais da área. "A candidatura do Collor é um lay-out bem finalizado de tudo o que aconteceu nos últimos 50 anos no Brasil, a repetição das grandes estruturas nordestinas coligadas ao que existe de pior na corrupção. Pessoalmente, se eu pensar no meu bolso, vou votar no Collor. E se pensar no meu coração, votarei no PT. Acredito que o empresário deva ter a visão de seu negócio daqui a dez anos, e não apenas visar suas minúsculas atuais vantagens", arrematou.

Confira no YouTube alguns filmes que movimentaram a campanha presidencial de 1989.

Campanha de Collor: http://www.youtube.com/watch?v=T7BKRIAygnU
Campanha de Lula: http://www.youtube.com/watch?v=cYglP0k8Q0A
Campanha de Leonel Brizola: http://www.youtube.com/watch?v=N6iZzJ5-DXo
Campanha de Mário Covas: http://www.youtube.com/watch?v=I157vTS8zaY

 

Anúncios