O faturamento das atividades digitais das empresas jornalísticas está crescendo mais devagar, obrigando os jornais a rever seus modelos de negócio – como, por exemplo, abraçar de vez a ideia de cobrar pela distribuição digital.

A conclusão é do trabalho anual "Tendências", apresentado na abertura do 62º Congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês).

O estudo, conduzido pela consultoria PricewaterhouseCoopers, aponta que, em 2008, o bolo publicitário global dos jornais foi de US$ 182 bilhões, dos quais apenas US$ 6 bilhões vieram da internet.

A pesquisa projeta que as vendas digitais não passarão de US$ 8,4 bilhões em 2013 e que, neste ano, a soma das receitas do impresso e do digital não superarão as vendas "de papel" em 2008.

"Tão cedo as vendas digitais não compensarão a queda das receitas dos impressos", disse Timothy Balding, co-CEO da WAN. "Se os jornais quiserem manter sua liderança em conteúdo de qualidade, alguém vai ter de pagar por isso. Vamos ter de resolver a questão do pagamento digital, e rápido", defendeu Balding. 

O levantamento também trouxe algumas boas notícias. Em 2008 (último ano fechado da série estatística), a circulação dos jornais pagos cresceu 1,3% em relação ao ano anterior, e 8,8 % nos últimos cinco anos.

O desempenho global foi impactado pelo crescimento nos mercados emergentes. "Mas, mesmo nos mercados maduros, caso da Europa, a circulação caiu menos de 3% nos últimos cinco anos", disse Balding.

Alguns dados levantados pelo estudo:

1,9 bilhão de pessoas, ou 34% da população mundial, lê um jornal todo dia.

24% da população mundial usa a internet.

107 milhões de exemplares por dia é a circulação média dos jornais na Índia, ou 20% da circulação mundial. É o maior mercado mundial.

60% da circulação mundial de jornais está nos mercados da Índia, China e Japão.

612 exemplares por mil habitantes é a penetração dos jornais no Japão, o melhor índice mundial, seguido pela Noruega (576) e Finlândia (482).

91% dos japoneses leem um jornal diariamente.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

 

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