dom , 30/5/2010

Letícia Sorg

Uncategorized Tags: CRIME, filhos, internet

Você provavelmente se lembra da história absurda de um casal sul coreano que deixou a filha morrer de fome porque estava viciado em cuidar de uma criança virtual em um jogo online. O bebê, de 3 meses de vida, recebia apenas uma mamadeira por dia – e às vezes feita com leite estragado – e apanhava quando chorava de fome. Morreu em setembro do ano passado de inanição, depois de passar a noite sozinha em casa: os pais estavam em uma espécie de lan house, dando atenção ao filho virtual.

Quando, na autópsia, foi constatada a causa da morte da criança, o casal fugiu e ficou cinco meses foragido. Presos em março, os dois foram condenados a dois anos de prisão, segundo decisão da Justiça sul coreana na semana passada. O homem, de 41 anos, e sua mulher, de 25, vão responder por abandono. A mãe, contudo, não ficou presa porque está grávida. Se não fizer nada de errado nos próximos três anos, ela não precisará ficar na cadeia.

“Foi um crime desumano, em que os réus abandonaram mesmo as mais básicas responsabilidades de pais, e imperdoável diante de qualquer desculpa ou motivo”, diz a decisão da Corte de Suwon, ao sul de Seul, capital sul coreana.

O crime foi o exemplo mais chocante dos efeitos do vício em internet, que atinge cerca de 2 milhões de pessoas no país. Depois do caso, o governo sul coreano anunciou a distribuição de um programa que limita o tempo que a pessoa permanece conectada. As medidas devem incluir campanhas educacionais e aconselhamento.

É muito difícil que um caso escabroso como esse se repita, mas parece uma ocasião para perguntar até que ponto ficar conectado é saudável. Uma reportagem da ÉPOCA desta semana (para assinantes) questiona exatamente isso.

Faz tempo que venho pensando sobre o assunto por causa da minha própria experiência. Depois de trabalhar com jornalismo online durante quase dois anos, notei que ficava ansiosa, inquieta, se ficasse muito tempo sem ver e-mail. Comprei um celular para vê-los a toda hora, mas acabei deixando de configurar o serviço. Hoje, talvez seja chamada de “dinossáurica” por continuar sem ler os e-mails no celular.  Mas algo me diz que minha qualidade de vida é um pouco melhor tendo um espaço offline.

Qual a sua relação com a internet? Você já deixou de fazer algo importante para ficar conectado?

http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2010/05/30/casal-coreano-e-condenado-por-deixar-filha-morrer-de-fome-enquanto-cuidava-de-crianca-virtual/

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