Por PC World/EUA

Publicada em 22 de junho de 2010 às 08h25

Promovidos a plataforma de computação, esses dispositivos móveis oferecem mais produtividade, mas impõem a necessidade de políticas de uso.

Na última década, os smartphones evoluíram de dispositivos de comunicação relativamente simples para ganhar o status de plataforma de computação robusta. Funcionários agora podem ir a mais lugares e perdem menos tempo. Mas todas essas vantagens têm um custo para o departamento de TI, encarregados da tarefa de manter a comunicação entre os servidores corporativos rodando e, importante, de maneira segura.

Uma pesquisa realizada pela empresa RingCentral, especializada em prover serviços de comunicação, revelou o quanto os executivos dependem desses aparelhos. Mais de 80% dos entrevistados afirmaram trocar o café da manhã de todos os dias pelo privilégio de continuar usando o smartphone. Não é por menos. Os mesmos 80% disseram que os aparelhos são a principal interface para a realização de negócios.

Os desafios
Os smartphones alteraram profundamente a produtividade móvel na vida de consumidores e de executivos de negócios. As demandas de qualquer empresa, porém, levantam questões singulares com respeito à estratégia de alinhamento dos aparelhos na estrutura da empresa.

Em várias organizações, especialmente nas pequenas, funcionários aparecem munidos com BlackBerries, Androids, iPhones ou Windows Mobile e exigem do departamento de TI uma solução de como integrá-los na comunicação da empresa.

Não encontrar essa solução significa desperdiçar uma via importante de alimentar fluxos de dados relacionados à produtividade na companhia. Pode, também, implicar no vazamento de dados no eventual caso de perda do smartphone em um aeroporto ou coisa semelhante. Prover os serviços para essa gama de dispositivos móveis é um verdadeiro desafio.

Gerentes de TI têm de integrar, inventariar, configurar e criar outras soluções com vistas a armazenar dados, encaminhar mensagens e manter a segurança do acesso dos smartphones à rede corporativa. Para tal, os gerentes de TI precisam de ferramentas que lhes facilitem essa tarefa.

Implementadas as políticas de acesso e estabelecidos os procedimentos relacionados aos aparelhos, os profissionais de TI podem, de posse dos recursos apropriados, fazer dos smartphones um recurso de valor inestimável dentro da dinâmica das empresas. Vamos examinar algumas dessas ferramentas.

Para o BlackBerry
A fabricante RIM conseguiu, com sucesso, estabelecer o BlackBerry entre os líderes do segmento corporativo. Nem mesmo Barack Obama resistiu à tentação de carregá-lo no bolso.

Um dos motivos que fazem do BlackBerry a primeira opção para aplicação no uso do mundo dos negócios é o BES (BlackBerry Enterprise Server – Servidor BlackBerry para empresas – em tradução livre do inglês). Com base no BES, as empresas ficam habilitadas a controlar e a manter o sistema de mensagens de forma interna – um importante recurso para qualquer empresa preocupada com a confidencialidade dos dados.

Uma solução completa no sistema BES, porém, encontra-se fora do escopo das possibilidades financeiras de empresas pequenas; ele também é complicado de configurar.

No começo de 2010, a RIM disponibilizou uma versão light do BES, especificamente voltada para pequenas empresas, batizada de BlackBerry Enterprise Server Express. Essa versão pode ser baixada gratuitamente e oferece suporte para gerenciar até 75 aparelhos sem a necessidade de licenças adicionais.

Gerentes de TI têm de integrar, inventariar, configurar e criar outras soluções com vistas a armazenar dados, encaminhar mensagens e manter a segurança do acesso dos smartphones à rede corporativa. Para tal, os gerentes de TI precisam de ferramentas que lhes facilitem essa tarefa.

Implementadas as políticas de acesso e estabelecidos os procedimentos relacionados aos aparelhos, os profissionais de TI podem, de posse dos recursos apropriados, fazer dos smartphones um recurso de valor inestimável dentro da dinâmica das empresas. Vamos examinar algumas dessas ferramentas.

O BES Express funciona com qualquer plano de dados e não exige qualquer investimento de hardware, podendo rodar a partir de sistemas que executem o Microsoft Exchange ou o Windows Small Business Server. Instalado em um servidor dedicado, o BES Express gerencia até 2 mil smartphones BlackBerry.

A versão Express possibilita ao administrador do sistema reconfigurar senhas ou apagar dados remotamente de aparelhos furtados ou perdidos. Aplicativos podem ser alocados e gerenciados remotamente; políticas de atualização e de aplicativos são passíveis de agendamento via wireless.

As limitações do Express não são poucas. Ele não apresenta integração com plataformas Lotus Notes, Novell ou Groupwise. Também não interage com sistemas abertos de mensagens como o AIM ou o com o Google Talk. A disponibilidade do BES Express Também não pode ser incrementada.

Windows Mobile
A Microsoft não chega perto da RIM em termos de sucesso no meio corporativo dos smartphones. A maneira em que se integra aos servidores Exchange e a experiência da empresa em sistemas operacionais o colocam na lista de competidores.

O Exchange possui os recursos básicos, como o Exchange ActiveSync, necessários para integração com o Windows Mobile. Adicionalmente o ActiveSync possibilita aos administradores da rede programar o acesso a e-mails e a autorizar ou não determinados programas nos aparelhos.

Para ter um controle mais robusto, os administradores podem lançar mão do Microsoft System Center Mobile Device Manager (MDM) 2008 no gerenciamento de aparelhos com a versão 6.1 e 6.5 do Windows Mobile. O centro de dados MDM oferece um console centralizado para o estabelecimento de regras e de políticas através do Active Directory e das configurações das contas dos usuários. O MDM ainda oferece funcionalidades de integração com VPNs e o acesso seguro aos dados em redes internas.

O centro de dados MDM pode encriptar os arquivos armazenados em smartphones – estejam esses dados na memória interna do aparelho ou armazenadas no cartão. Deletar dados de aparelhos perdidos é outra possibilidade ofertada pelo sistema da Microsoft.

Semelhante ao ActiveSync, o MDM pode definir que programas estão autorizados a funcionar nos smartphones, e controlar as funcionalidades da câmera e da interface de comunicação.

iPhone
O que começou como peça de entretenimento agora ganha ares de gadget corporativo. A Apple, apesar de não oferecer o mesmo nível de integração para atividades corporativas, desenvolveu ferramentas para pequenas empresas que centralizam o gerenciamento de iPhones.

A ferramenta iPhone Configuration Utility 2.0 está disponível tanto para máquinas Windows quanto Mac OS. Ela provê aos administradores de TI uma interface robusta e cheia de possibilidades para configurar os iPhones. Os gerentes de rede podem definir a necessidade de o usuário informar senhas na hora de acessar a rede e também definem o tipo do código, a validade e o comprimento mínimo. Com base nesse aplicativo é possível determinar o tempo máximo da sessão entre o aparelho e o servidor e quantas tentativas de login podem ser feitas.

Com o programa, determinados conteúdos de aplicativos da iTunes Store podem ser bloqueados. É claro que o acesso à iTunes Store pode ser barrado terminantemente. Recursos de câmera e alguns aplicativos, como o Safari e o YouTube também são configuráveis.

No perfil de configuração, vários recursos do iPhone podem ser incluídos. Autenticação de WiFi, configurações de VPN e contas de e-mail podem ser configurados e mantidos via centro de gerenciamento de usuários. Resetar um iPhone com o iPhone Configuration Utility também é possível.

O Configuration Utility 2.0 oferece ao gerenciador de TI quatro opções de inserir as configurações dos iPhones. A sincronia com os dispositivos de acordo com perfis atuais pode ser feita usando a conexão USB, por meio de anexo de e-mails, disponibilizadas na web para download ou via protocolo SCEP (Simple Certificate Enrollment Protocol).

Android
O Android é o novato entre os sistemas mobile. Em seu pouco tempo de existência ele já consguiu atrair uma legião de seguidores e vem se afirmando como competidor.

De plataforma aberta, o Android é uma boa alternativa para empresas com receio de embarcar na plataforma de propriedade da Apple. Os recursos oferecidos para o Android são semelhantes aos do iPhone. A desvantagem do sistema para uso corporativo consiste na pequena oferta disponível. Mas, se a empresa for usuária da Suite Google Apps Premier Edition, o Android é um companheiro ideal.

O que fica
Dependendo do tamanho da organização, a tarefa de controlar, configurar e gerenciar os smartphones é complexa. Empresas grandes, com orçamento para tal, devem encomendar soluções desenvolvidas para controlar a boiada. Podem, também, fornecer dispositivos próprios para cumprir o papel dos smartphones.

Aos pequenos cabe contornar as mazelas e resolver o desafio de gerenciar o contingente de BlackBerries, iPhones e outros que vibram, tocam e acendem nas bolsas e nos paletós.

Para combater o vazamento de informações, a receita mais simples é a de identificar quais são os usuários que realmente necessitam ser integrados à rede e lhes dar o dispositivo para tal. Em caso de perda ou roubo, as tarefas de dar "reset" no aparelho, apagar a memória e outras medidas de segurança ficam facilitadas.

Enquanto isso não acontece, o melhor a fazer é proibir funcionários de acessar a rede com os smartphones, salvo casos em que a atribuição dos cargos exija esse acesso. É hora de botar na balança os benefícios, as necessidades e os riscos envolvidos na hora de escolher a plataforma móvel.

(Tony Bradley)

http://idgnow.uol.com.br/telecom/2010/06/21/smartphones-no-ambiente-corporativo-restringir-ou-gerenciar/paginador/pagina_5

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