18-Nov-2010

Hoje em dia, mais do que nunca, é ele que decide o que vê, o que quer, quando e como, estando quase imune às mensagens publicitárias e provocando assim, muitas dores de cabeça aos Marketeers.
Com o comando da televisão numa mão, o smartphone na outra e o portátil ligado à Internet 24H por dia, o consumidor já não é o que era: tornou-se interactivo, super exigente, hiper selectivo e muito rigoroso; exige satisfação imediata e personalização total.

Com os inúmeros “canais” e “locais” com informação a que tem acesso, também é verdade o contrário: Nunca o consumidor esteve tão acessível aos Marketeers como agora.

O relacionamento entre os consumidores e as marcas mudou radicalmente nos últimos anos, e o Marketing que é praticado pelas empresas – com raras e honrosas excepções – não tem acompanhado essas tendências.

As formas de Comunicação mais tradicionais estão de tal forma desenquadradas desta nova realidade que correm o sério risco de saturar o consumidor a curto prazo – se já não o fizeram; ou pelo menos as mensagens estão a tornar-se cada vez mais irrelevantes, iguais a tantas outras, perdidas na imensidão de inputs recebidos diariamente pelo Consumidor.

Mais do que ter a veleidade de querer passar para o consumidor conteúdos e mensagens que ele provavelmente não quer ouvir, o mais importante é a nossa capacidade de surpreendê-lo, conectarmo-nos com ele, oferecer-lhe algo em troca se possível e acima de tudo procurar sempre proporcionar-lhe uma experiência interessante e que ele, pelo menos a curto/médio prazo, não esquecerá.

Vivemos hoje, e cada vez mais, num mundo em que o consumidor é interveniente, exigente, o actor principal e, hoje mais do que nunca, o ingrediente mais importante na Comunicação. Existem hoje Blogs, Vlogs (vídeo), Wikis, Podcasts e um sem fim de formas alternativas para comunicar, entre as quais, marcas fortíssimas de partilha de conteúdos e experiências, como são os casos de Twitter, LinkedIn, YouTube, MySpace e o inevitável e massivo Facebook.

E mais alternativas à comunicação tradicional estão a chegar, entre as quais uma versão aberta do Facebook e a concorrente do gigante Google – prevista para este ano! Para já não falar da Google TV (a ser disponibilizada em 2011), essa sim uma revolução na forma como as pessoas terão acesso à informação…

As empresas e os Marketeers têm que se concentrar em adaptar as suas metodologias de Comunicação a este modelo hipertecnológico, com públicos cada vez mais selectivos, exigentes, dispersos, difíceis de atingir e com acesso quase instantâneo a informação de vários quadrantes.
O grande paradoxo é precisamente que o consumidor nunca esteve tão acessível como agora. Um exemplo concreto é que aparecem diariamente novos suportes e meios alternativos de publicitar a nossa mensagem. Publicidade em Smarts, Vespas com outdoors, Ecomobile, via Bluetooth, Wifi, no verso das fotocópias, em cabides de cartão, rótulos de bebidas e até na areia das praias, entre muitos outros.

Por outro lado o Product Placement na televisão e outros meios tradicionais tem-se mostrado cada vez mais eficaz e técnico perante um anunciante que evita cada vez mais e regista os anúncios. Há que ter em conta também a crescente indústria dos jogos de computador e consolas, que apesar de ser um mercado específico e com um público-alvo muito concreto não deixa de ter a sua importância pela dimensão de já tomou (segundo as ultimas estatísticas este já ultrapassou o mercado do cinema e audiovisual).

Também já ninguém põe em causa a eficácia e ROI dos investimentos online. Um bom website, interactivo e relevante, envios via e-mail marketing, campanhas de produtos e serviços específicos segmentados por palavras-chave (através de, por exemplo, Google AdWords), anúncios em websites específicos para telemóveis, publicidade em aplicativos para smartphones (como é o caso de algumas aplicações grátis na App Store da Apple), um bom e permanente trabalho de Search Engine Optimization, etc. etc.

Isto sempre devidamente interligado, de preferência em simultâneo e integrado com as restantes formas de comunicação.

Mas o grande desafio para o Marketeers está, e estará sempre, na CRIATIVIDADE e na capacidade de surpreender o Consumidor!
Um bom exemplo foi a exposição mediática que a inauguração do IKEA Norte conseguiu com a, simples e directa, Campanha dos “100 € para os primeiros 100 clientes”, disponibilizando inclusive camas (do IKEA!) para as pessoas poderem passar a noite até a loja abrir.

É assim óbvio que a componente mais eficaz na Comunicação é a escolha eficaz e a conjugação das “Ferramenta de Media”, de uma forma realmente criativa, inesperada, surpreendente, que fará o consumidor pensar na marca e, objectivo final, comprar o nosso produto!

Paulo Taveira,
Director-geral da Designarte

http://www.briefing.pt/content/view/7551/13&urlhash=nVtF

Anúncios