Cad de Informática do Jornal do Commercio 29.12.2010

Publicado em 29.12.2010

Jacques Waller

jwaller@jc.com.br

Imagine-se em 2001. Lembre como a vida era diferente do ponto de vista tecnológico. Agora, fixe na cultura digital de hoje, às vésperas do fim da primeira década do século 21. Guarde a imagem porque, em dez anos, tudo será diferente. Especialistas garantem que até o fim da década a maioria das pessoas da Terra estará online, vestindo computadores, literalmente andando no ciberespaço através de dispositivos de realidade aumentada e empregando robôs domésticos como faxineiras. Será um bravo mundo novo para todos. Um mundo que, dizem os futurólogos, também poderá ver o nascimento das primeiras consciências artificiais. Bem-vindo ao futuro.

» PERSPECTIVA DA DÉCADA
O fim da fronteira entre real e virtual
Publicado em 29.12.2010

Com tecnologias de exibição em 3D e realidade aumentada, internet chegará a 50 bilhões de dispositivos até 2020, incluindo roupas e objetos

Uma coisa se pode afirmar sobre os próximos dez anos, sem medo de errar: eles serão muito, mas muito diferentes de tudo o que já foi experimentado pela humanidade até hoje. Mas mesmo sabendo que há uma grande chance de errar, institutos como IDC, Gartner e e.Life já soltaram suas previsões. De acordo com os especialistas, se a primeira década do século 21 foi marcada pela imersão do indivíduo na internet, a jornada até 2020 será definida pela invasão da web no meio físico. É a chamada internet das coisas

que, com as tecnologias de realidade aumentada e exibição 3D, redefinirão a relação do ser humano com os dados que ele produz e, por fim, estreitarão a barreira entre o que é orgânico e o que é digital.

Um relatório da Ericsson, divulgado este ano, indica que haverá 50 bilhões de dispositivos conectados à rede até 2020. Mas não pense que os equipamentos em questão serão computadores e celulares. Eles também estarão online, certamente, mas o que a fabricante de eletrônicos prevê é que sua geladeira, seu carro, relógio, óculos e roupas estarão online até 2015. E já no ano que vem, de acordo com a iSuppli, quatro em cada cinco aparelhos móveis terá GPS. Ou seja, o sonho de buscar via Google pelas chaves do carro será realizado nos próximos dez anos.

Mas o ponto de virada para a rede será mesmo a realidade aumentada. O conceito é simples: inserir conteúdo informacional no mundo físico. Atualmente, a façanha é conseguida através das lentes de um smartphone que, por exemplo, identifica um prédio na paisagem e, na tela, exibe informações sobre o restaurante que funciona naquele endereço. Em dois ou três anos, aplicativos como o Layar serão usados como browsers para o mundo real.

Segundo o futurólogo Ray Kurzweil, até 2017, a navegação da realidade aumentada poderá ser feita através de óculos ou outros dispositivos dedicados. Juntando essa tecnologia às redes sociais, bastará olhar para uma pessoa para obter alguns de seus dados (se seu perfil for público, claro). Um Facebook conectado à realidade aumentada permitiria a qualquer um curtir o trabalho de um artista de rua, ou o visual de uma garota qualquer. E em dez anos, um misto de exibição 3D, reconhecimento de movimentos e realidade aumentada dispensarão mediadores. A web virá às ruas.

Games também serão impactados pela união de 3D, realidade aumentada e internet universal. Consoles poderão ser servidores, ou meros pontos de acesso para jogos em rede. Jogos esses que não ficarão limitados ao ambiente da sala de casa. De acordo com a “futuróloga” especializada em videogames Jane McGonigal, os jogos eletrônicos estarão nas empresas e nas escolas, como forma de treinamento e ferramentas de colaboração. (J.W.)

» Internet universal de 100 Mbps
Publicado em 29.12.2010

Até 2020 será possível conectar-se de toda parte, a partir de qualquer dispositivo. Internet fixa e móvel 4G serão acessíveis em todos os lugares. A velocidade padrão da rede móvel será de 100 Mbps. Redes fixas, sem fio ou a cabo, poderão chegar a incríveis 10 Gbps de velocidade.

» Computação será para vestir

A partir do meio da década, roupas e acessórios terão processadores embutidos e estarão conectados à rede, fornecendo e enviando informações para a internet. O vestuário inteligente poderá interagir com o ambiente ou se comportar de acordo com a programação do usuário.

» Tudo vai parar nas nuvens

O conceito de sistema operacional pode cair em breve, sendo substituído pelo de softwares online. A previsão é que até 2015 as empresas armazenem todos os seus serviços e dados na nuvem. Usuários comuns ainda usarão seu Windows ou Mac OS, mas logo a internet rodará todos os softwares.

» Portáteis serão

indispensáveis

Em breve, os celulares inteligentes serão o principal dispositivo de computação pessoal. Até o ano de 2015, 90% da população mundial terá um smartphone no bolso. Desktops serão usados exclusivamente para operações computacionais complexas. Tablets serão devices intermediários.

» 3D estará em

TVs e games

A exibição em 3D será comum até o fim da década, mas não deverá ser uma exclusividade das telas de cinema. Videogames, emissoras de TV e as propagandas na rua se valerão da tecnologia. A previsão é que as vendas de TVs 3D aumentem dez vezes até 2015, chegando a 22,5 milhões de lares. Até 2020, óculos especiais serão dispensados.

» Redes sociais para tudo

As redes sociais serão ainda mais importantes na nova década. Corporações usarão as mídias sociais para atendimento, pós-venda, pesquisa e até como sites institucionais. Para usuários, elas serão parte da realidade aumentada. No entanto, é possível que ainda em 2011 o Orkut deixe de existir.

» Você vai jogar com a realidade

Com a junção de exibição em 3D, realidade aumentada, conexão universal e controle de movimentos, os games da próxima geração serão, literalmente, imersivos. Jogadores entrarão nos mundos virtuais dos games e não precisarão estar nas salas de suas casas para jogar.

» Inteligência artificial em 2020

Segundo os cientistas Ray Kurzweil e Vernor Vinge, os computadores atingirão complexidade igual à da mente humana em 2020. Na previsão dos futurólogos, será o início da era da inteligência artificial complexa, ou seja, PCs terão potencial para demonstrar comportamento humano.

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