Publicado em 09.01.2011

Cresce o número de sites que promovem disputas para ver quem arremata produtos. Mais importante que o valor do lance, é a estratégia de cada um

Ivo Dantas

idantas@jc.com.br

Ao contrário do padrão tradicional, em que as modas se sucedem, na internet há espaço para todos. Com as compras coletivas ainda na crista da onda, os sites de leilão virtual surgem para aproveitar o bom momento da economia online, criando um novo modelo de negócio para empresas e grandes oportunidades de economia para o consumidor. Hoje, já existem mais de 30 sites de leilão em atividade no Brasil. Alguns, como o Mukirana.com e o Olho no Click registram crescimento de mais de 200% ao ano, faturando cerca de R$ 7 milhões, cada um.

A mecânica é simples, mas muito lucrativa. Os produtos são colocados em disputa juntamente com um relógio que conta o tempo final do leilão. A partir daí, cada internauta passa a dar lances de um centavo no valor da mercadoria. Diferentemente do leilão tradicional, não existem marteladas, nem o “quem dá mais”. Leva quem der o último lance antes do fim do cronômetro. Cada vez que alguém dá um lance, o valor da mercadoria sobe um centavo e o relógio volta a contagem regressiva de 10 segundos. O vencedor é aquele que der o último lance antes do relógio zerar.

Apesar de aumentar apenas um centavo no preço final do produto, cada lance custa de R$ 0,50 a R$ 1. Na verdade, o consumidor paga pela chance e não pela mercadoria. Este é o segredo do negócio. Pois, mesmo perdendo o leilão, os valores pagos por cada lance não serão devolvidos.

Caso você seja o felizardo, além do produto, terá de pagar pelos lances dados. Por exemplo, se uma TV custou R$ 400. Soma-se a este valor os lances dados. Se você deu 20 cliques antes do fechamento do leilão, na verdade, estará pagando R$ 420, com R$ 1 cada chance. Caso não vença, paga apenas os R$ 20 por ter participado do jogo.

A advogada Ana Cardoso não pensou duas vezes ao ver a possibilidade de conseguir algum desconto através desses sites. “A ideia de leilão de livros logo me chamou a atenção, tendo em vista a possibilidade de adquirir bons livros por preços inferiores ao de mercado. Contudo, na minha primeira participação, fiquei frustrada ao perceber que não é tão fácil arrematar. Demanda muito tempo e paciência. O leilão acabou durando mais de três horas”, diz.

Por isso é preciso ter cuidado ao entrar no jogo. Antes, é necessário entender as regras e ver se vale realmente a pena. Saber até onde você está disposto a ir antes do leilão começar é fundamental para não acabar tendo prejuízo. Para aumentar as chances de vencer, os sites chegam a vender relatórios com dados específicos sobre todos os envolvidos no leilão, como número de lances dados por cada jogador e histórico de compras.

Para o sócio do Mukirana.com, Willker Soares, os leilões não devem ser classificados como jogo de azar. “Não dependem exclusivamente da sorte, afinal para impedir que o leilão termine, basta dar um lance. Sorte é justamente não poder interferir no resultado final, o que não ocorre nos leilões. Não há sorteio, ocorre uma disputa baseada na estratégia, na qual todos participantes sabem quem é o vencedor do momento, quanto tempo eles tem para dar seu lance antes de encerrar o leilão e quantos lances já foram dados”, explica.

http://jc3.uol.com.br/jornal/2011/01/09/not_407353.php

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