Publicado em 12.01.2011

Recém-empossado no comando da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, o secretário Marcelino Granja recebeu o JC para tratar das prioridades dos próximos 100 dias de Governo e da gestão que se inicia. Inclusão digital continua um dos principais desafios.

JC – O que podemos esperar da sua gestão?

MARCELINO GRANJA – Vamos dar continuidade à implantação da nova política de Ciência e Tecnologia, que foi construída nos últimos anos a partir da iniciativa de vários técnicos, cientistas e gestores. Hoje, existe uma linha de ações que busca a inovação tecnológica e, dentro disso, podemos destacar áreas como nanotecnologia, bioenergia, energia, além da área de TI. Essas serão nossas prioridades.

JC – Já atingimos um patamar satisfatório no que diz respeito à inclusão digital?

GRANJA – Não, e esse é outro ponto muito importante. A disponibilização das conquistas tecnológicas para o dia a dia da maioria da população é, sem dúvida, um dos nossos principais eixos. E aí destaco a formação de quadros. Hoje, a Facepe (Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco) disponibiliza 430 bolsas de mestrado e doutorado para pesquisadores do Litoral ao Sertão. Esse projeto conta com um verba em torno de R$ 20 milhões por ano. Infelizmente, ainda persiste um sistema histórico montado para impedir que parte da população tenha acesso à formação. E o desafio é conseguir acabar isso.

JC – Há novos projetos para aumentar a oferta de educação a distância no Estado?

GRANJA – Efetivamente não. Mas acreditamos que a partir da reestruturação da TV Pernambuco, o Estado ganhará novas formas de transmissão e aí, sim, poderá ampliar as maneiras como trabalha a educação a distância.

JC – Como é possível interiorizar o progresso?

GRANJA – Hoje, as diferenças inter-regionais são maiores que as regionais. Há uma desigualdade muito forte dentro de Pernambuco. Estamos muito focados em melhorar essa situação. Entre os projetos, está o de aumentar a produção de energia elétrica renovável em Fernando de Noronha. Outra questão é a rede digital. Estamos estudando formas de disponibilizar internet, via banda larga, para o Estado todo.

JC – Para a Região Metropolitana, que projetos serão viabilizados?

GRANJA – O projeto de disponibilização de banda larga, que começou em Casa Amarela, será ampliado para toda a RMR até o fim de 2011.

JC – Como isso será feito?

GRANJA – Vamos aproveitar a infraestrutura da Rede Ícone – e de redes privadas parceiras – para instalar hotspots (pontos de acesso) em vários prédios públicos do Grande Recife. Só escolas, serão mais de 170. Assim, vamos criar manchas conectadas de Ipojuca a Igarassu. Claro que teremos locais de sombra, onde não haverá conexão. É importante também que fique claro que essa internet será para um uso corriqueiro e não para um usuário que quer baixar arquivos ou para o meio corporativo.

JC – Os recursos já estão liberados?

GRANJA – Sim. Há cerca de R$ 25 milhões liberados pelo Ministério de Ciência e Tecnologia que serão aportados para esse plano. Isso inclui custos com instalação, criação de infraestrutura e contratação de capacidade da rede. Nosso grande desafio é conseguir orquestrar o processo, pois a estrutura já existe.

JC – E que tecnologia será adotada?

GRANJA – Wi-fi e wimax.

JC – Quanto aos centros tecnológicos, haverá ampliação dos setores contemplados?

GRANJA – Sim. Vamos inaugurar em 2011 quatro novos Centros Tecnológicos (CTs) no Estado. Um de aquicultura, em São Lourenço da Mata, o segundo de fármacos, em Goiana, o terceiro de agricultura irrigada, em Petrolina, e o último será de metal-mecânica e plástico aqui mesmo no Recife. Além disso, também estão por vir quatro novos Centros de Vocação Tecnológica (CVTs). As cidades contempladas serão Timbaúba, Paulista, Bonito e Cortês

http://jc3.uol.com.br/jornal/2011/01/12/not_407720.php

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