Futuro da publicidade está na rede
Publicado em 09.02.2011

Renato Mota

Especial para o JC

A função que Brisa Dalilla (foto) ocupa na agência Hagua não existia até um tempo atrás: redatora digital. “Sou a menina do online”, brinca. O novo cargo é fruto de um mercado que deve crescer até 25% este ano, segundo estimativas do Interactive Advertising Bureau (IAB Brasil), chegando a R$ 1,55 bilhão. A publicidade online – especialmente nas redes sociais – ainda representa apenas 4,49% do total de investimentos (a TV fica com 63,11%), mas com uma audiência de 80 milhões de usuários de internet no País, só tende a crescer.

Marketing invade as redes sociais
Publicado em 09.02.2011

Sites de relacionamento se tornam atrativos por exigir pouco investimento e ter potencial de rápida propagação. Advergame é uma das ferramentas

O número crescente de internautas, aliado ao interesse natural do brasileiro pelas redes sociais são as maiores ferramentas dos publicitários na hora de convencer os clientes das vantagens de investir na internet. “Um dos fatores mais fortes é o baixo custo”, explica Brisa Dalilla, redatora da Hagua. “Com pouco dinheiro e uma boa ideia dá para fazer uma campanha no Facebook ou Orkut. Uma produção para internet tem um gasto muito menor do que para TV”, completa.

Mesmo com a vantagem financeira, muitas empresas ainda resistem em colocar sua marca na internet, ou como é mais comum, não sabem como fazê-lo. “Existe ainda um certo glamour na web, que intimida quem não sabe lidar direito com isso. Muitos, por exemplo, criam uma campanha direcionada para TV ou impresso, e só convertem aquele material para online, em formato de banner ou outro qualquer, e isso não funciona”, explica o presidente da Ampla Comunicação, Queiroz Filho. Para o publicitário, o mercado hoje demanda uma estratégia de comunicação com 360 graus, que contemple o mundo real e o virtual da mesma forma.

O público online não pode ser ignorado. De acordo com o Ibope, as classes C, D e E representam 52,8% dos internautas, enquanto a A e B somam 47,2%. Por isso, muitas empresas se aventuraram na web, mesmo sem saber direito como fazer. “Muitos dos nossos clientes faziam parte da campanha conosco e deixavam o online a cargo de outro escritório. A partir dessa necessidade, foi que criamos o Núcleo de Inteligência Digital (NID) aqui dentro da empresa”, conta Queiroz.

Com uma equipe de 10 funcionários dedicados a pensar em estratégias para web, o executivo conta que tornou sua agência um diferencial. “Os profissionais foram selecionados de agências que já tinham experiência no segmento. Hoje, formamos também estagiários, que não necessariamente estudam publicidade, mas que têm interesse e familiaridade com as redes sociais e são capazes de produzir material direcionado para elas”, afirma Queiroz.

Segundo o diretor de planejamento da Marta Lima Comunicação, Fernando Lima, o advento das redes sociais revolucionou o mercado publicitário. “Antigamente, quando o universo online se resumia a sites e a anunciar em portais, era tudo muito mais fácil. Com as redes sociais, as possibilidades são ilimitadas. Dá para fazer uma ação de guerrilha aliada às redes ou criar um perfil pra cada produto ou serviço do anunciante”, explica. Devido à integração entre os meios (internet, TV e impresso, por exemplo, podem ser unidos num único aparelho, como um iPad), Fernando acredita que o público poderá se relacionar de forma ainda melhor com as marcas. “Terá mais entretenimento, o público vai diminuir essa distância com a empresa. Quem conseguir criar mais intimidade entre marca e usuário será mais criativo, mais ousado, mais inovador”, acredita.

Com o que já existe hoje em termos de integração, o mercado publicitário já pode trabalhar em várias frentes. De acordo com Brisa, além das campanhas nas redes sociais, outro tipo de ferramenta que tem chamado a atenção dos anunciantes são os advergames, os jogos publicitários. “Hoje, existem games para Facebook, Orkut, celular, iPhone e até para jogar no browser mesmo. Recife possui ainda a grande vantagem de ter muitas empresas no Porto Digital que trabalham com esse tipo de material, que estão entre as melhores do mundo”, conta Brisa. A empresa especializada em publicidade móvel, Greystripe, acredita que este mercado deve movimentar cerca de US$ 1 bilhão em 2011, com destaque para os anúncios segmentados.(R.M.)

Boo-box foi pioneiro em blogs
Publicado em 09.02.2011

Com tantas marcas na internet, faz melhor quem faz diferente. As últimas novidades dão conta que o Facebook vai passar a usar as mensagens dos próprios usuários como publicidade. Se você comentou sobre algum produto no seu mural, ele ganha espaço nos anúncios dos seus amigos. O Google, por outro lado, pretende mudar o seu tradicional visual clean para adotar imagens nos adwords do Gmail.

Porém, em se tratando de publicidade nas redes sociais no Brasil, ninguém inovou mais do que Marco Gomes. O jovem de 24 anos e o seu Boo-box (boo-box.com) são um exemplo – no melhor estilo das histórias do Vale do Silício – de como visão e oportunidade somadas podem revolucionar. E tudo começou como uma ideia simples: por que não usar o conteúdo gerado pelo próprio internauta como vetor para as propagandas?

“Começou em dezembro de 2006, quando vi uma foto de Gisele Bündchen num blog de fofocas. Ela estava com um tênis de marca, bolsa de marca, blusa de marca, e os banners do site apontavam para anúncios de como construir sites e hospedagem”, conta Marco. A partir de uma troca de e-mails com amigos e quatro dias de trabalho, o jovem desenvolveu a primeira versão do Boo-box, uma ferramenta que permitia a blogueiros selecionar palavras dos seus posts e direcioná-las a sites de e-commerce parceiros. “O aplicativo identificava aquele produto, escolhia entre os mais populares nas lojas online, e criava uma vitrine para o visitante poder comprar diretamente”, explica Marco.

Com duas semanas no ar, o Boo-box ganhou um review positivo do editor de um dos maiores sites de tecnologia do mundo, o TechCrunch. “Esse post, que até hoje está no ar, nos abriu muitas portas e trouxe investidores”, lembra o empresário. O maior desses parceiros foi o fundo de venture capital brasileiro Monashees, que trouxe US$ 300 mil. “Larguei meu emprego e faculdade em Brasília e vim para São Paulo, montar a empresa”.

Depois de dois anos de desenvolvimento da ferramenta, ao lado do sócio-diretor Marcos Tanaka, Marco adaptou o Boo-box para a realidade atual da rede. “Hoje, o aplicativo serve não só para fazer o meio de campo entre fornecedores e blogs. O programa cria espaço para anúncios em advergames do Facebook ou Orkut e aplicativos para iPhone, além de criar um perfil completo do usuário para direcionar melhor os produtos”, conta. No fim deste ano, a empresa, que atende a 50 mil sites (uma audiência de aproximadamente 34 milhões de internautas), recebeu investimento – de valor não revelado – da Intel Capital para a América Latina. “Não podemos revelar quanto foi nossa parte. Mas no mundo todo, foram destinados US$ 77 milhões”, revela Marco.(R.M.)

Viralização é trunfo da web
Publicado em 09.02.2011

Uma campanha online bem feita pode ter tanto sucesso quanto outra veiculada em qualquer mídia, porém com um custo mais baixo. O efeito da viralização pode fazer com que o material se espalhe pelas redes sociais e atinja até as mídias tradicionais, como TV e jornais impressos.

“Além de passar uma imagem mais atual da empresa e de aproximá-la dos nossos consumidores, uma campanha online tem melhor custo-benefício e consegue ser divulgada de forma mais rápida e abrangente, porque a distância torna-se reduzida”, afirma Marina Lemos, analista de Marketing da Vitarella, que está lançando esta semana um novo site integrado com as redes sociais.

Para a analista, o único problema é a concorrência, já que a rede está repleta de divulgação dos mais diversos produtos, todos querendo a atenção do internauta. “Precisamos contar com o fator surpresa, pois não temos controle sobre o conteúdo produzido pelas pessoas impactadas, positivamente ou negativamente, pelas nossas marcas”, completa.

“Uma produção boa e uma ideia simples já podem fazer a diferença na divulgação”, conta a redatora da Hagua, Brisa Dalilla. Para atingir o público certo, Brisa conta com a ajuda dos blogueiros para espalhar a informação. “A gente tem um grupo ao qual recorremos, dependendo do nicho que queremos atingir”, explica.

Esse direcionamento funcionou muito bem no caso do livro do carioca Eduardo Spohr, A batalha do apocalipse. Antes de conseguir um contrato com uma grande editora, a obra vendeu cinco mil cópias de forma totalmente independente, graças à divulgação na internet. “Lançamos o livro no site Jovem Nerd, que é direcionado para esse tipo específico de público, e deu muito certo”, conta o autor. Para o criador do Boo-box, Marco Gomes, um dos maiores diferenciais da publicidade online é a forma de medição do retorno. “Temos como saber todo o caminho que o usuário fez desde o primeiro clique até a compra, assim podemos traçar o perfil completo do consumidor e direcionar produtos mais indicados a ele”, afirma.

As redes sociais também se mostraram aliadas das empresas. Segundo Marina, a resposta das campanhas offlines pode ser medida através da web. “Neste sentido, as redes sociais são excelentes: proporcionam um diálogo com o cliente nunca antes visto. Até o momento, estávamos apenas observando, mas, mesmo sem qualquer incentivo de nossa parte, os consumidores utilizavam redes como Orkut e Twitter para expressar sua opinião sobre a marca”. (R.M.)

Anúncios