Publicado em 04.03.2011

Economia do País cresceu 7,5% no ano passado, o melhor resultado desde o Plano Cruzado, em 1986. Já Pernambuco fechou 2010 com melhor desempenho em 15 anos, registrando um crescimento econômico de 9,3% em relação a 2009

RIO E RECIFE – O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, cresceu 7,5% em 2010, o melhor resultado desde o plano Cruzado, em 1986, quando a expansão foi exatamente a mesma. Em Pernambuco, o desempenho foi ainda melhor: 9,3% sobre 2009, o melhor desempenho dos últimos 15 anos.

Diferentemente da performance nacional, onde o incremento se deu sobre uma base negativa de 0,6%, a economia do Estado se expandiu em cima de uma taxa de 5,2%, registrada em pleno ano de crise econômica. O ritmo frenético do PIB pernambucano foi puxado principalmente pela indústria, que apresentou taxa de 12,5%, com destaque para a construção civil, que disparou com uma taxa de 26,1% (leia mais na matéria abaixo).

Apesar do desempenho espetacular, a economia brasileira terminou o ano em desaceleração, e a projeção média do mercado para o crescimento de 2011 é de um incremento de 4,3%. A freada, porém, não atingiu o consumo das famílias, que foi surpreendentemente forte no último trimestre, crescendo 2,5%, ou 10,4%.

Vindo na esteira de uma retração de 0,6% em 2009, o ano de 2010 acumulou uma grande coleção de recordes na atual série das Contas Nacionais, iniciada em 1996: além do maior crescimento do PIB, registrou-se a maior expansão dos investimentos (21,8%), do consumo das famílias (7%), das importações (36,2%), da indústria como um todo (10,1%), da indústria extrativa-mineral (15,7%), da indústria da transformação (9,7%), da construção civil (11,6%), do comércio (10,7%), do item “transporte, armazenagem e correio” (8,9%) e até dos impostos (12,5%).

O ano de 2010 começou em ritmo muito acelerado, resultado tanto das diversas medidas fiscais, monetárias e creditícias para impulsionar a economia afetada pela crise global quanto da base de comparação deprimida de 2009. Na segunda metade do ano, houve uma desaceleração. Assim, a economia cresceu 9,2% no primeiro semestre, contra igual período do ano anterior, e 5,9% no segundo, na mesma medida.

COMPARAÇÃO

Com o resultado de 2010, o Brasil ganhou uma posição entre as maiores economias do mundo. Saltou da oitava colocação em 2009 para a sétima no ano passado, deixando a Itália para trás por uma diferença de US$ 52 milhões (US$ 2,088 trilhões a US$ 2,036 trilhões). Na média dos oito anos de governo Lula, o avanço foi mais modesto. Segundo levantamento do Bradesco com uma amostra de 36 países, o Brasil ficou em 16º lugar, com crescimento médio de 4% entre 2003 e 2010. A primeira colocada foi a China, com 10,9%, seguida de Índia, com 8%. A Rússia também ficou acima do Brasil, com 4,8% de alta. Os quatro países formam o Bric.

A subida no ranking foi comemorada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A meta do governo Dilma Rousseff é concluir o seu mandato com o Brasil na 5º posição. O cálculo do ministro sobre a posição brasileira no ranking global é baseado no critério de Preço, Paridade e Poder de Compra (PPP), utilizado normalmente pelos economistas levando em consideração os diferentes custos de vida e taxas de inflação dos países, ao invés de apenas converter os valores em moedas locais para uma comum, como o dólar.

O ministro afirmou que os dados são preliminares, calculados pelo governo brasileiro. Mas a estimativa vai de encontro aos rankings elaborados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Central de Inteligência Americana (CIA) que, utilizando projeções para o ano de 2010, já colocavam o Brasil no sétimo lugar mundial segundo este critério.

A presidente da República, Dilma Rousseff, considerou “bastante razoável” o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 7,5% em 2010. “É um número bastante razoável e demonstra que o Brasil tem capacidade de crescimento”, afirmou. Dilma estimou que a expansão do PIB, este ano, ficará em torno de 4,5% ou 5%. A presidente ressaltou que o governo está empenhado no ajuste da economia para evitar o aumento da inflação e permitir que o crescimento do PIB possa ser contínuo nos próximos anos.

Em visita ao País, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, manifestou ontem preocupação com o risco de sobreaquecimento da economia brasileira, defendeu reformas econômicas. Segundo ele, o crescimento de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 evidenciou o risco de uma excessiva expansão no País, preocupação que se estende aos demais emergentes.

Grandes projetos provocam nova revolução industrial
Publicado em 04.03.2011

O resultado do PIB estadual realça o processo de reindustrialização da economia pernambucana, acenando para uma nova revolução industrial. O setor não só passa a ter relevância na matriz econômica como ganha um perfil de diversificação, com a estreia de atividades que não faziam parte do nosso parque fabril, a exemplo da indústria naval, petroquímica, automobilística, de equipamentos para o setor eólico e de uma nova atividade têxtil, que migra do algodão para o poliéster.

Nos anos 80, a indústria representava cerca de 25% do PIB setorial. Na década de 90 teve início um acelerado processo de desindustrialização, que fez essa participação minguar para menos de 15%, cedendo espaço para o setor de serviços. No ano passado, a indústria registrou fatia de 21,8%, contra 72,8% dos serviços e 5,4% da agropecuária. Com a entrada em operação dos grandes empreendimentos como cluster naval, Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e Polo Petroquímico, a estimativa é que a indústria passe a representar um terço da matriz econômica do Estado.

CONSTRUÇÃO

Com os empreendimentos estruturadores em fase de implantação, a construção civil e pesada é a locomotiva do setor industrial. No último trimestre de 2010, o crescimento da atividade chegou a quase 30% e fechou o exercício a uma taxa de 26,1%. É uma expansão faraônica se levado em consideração que o setor no País, que também registra desempenho positivo, cresceu 11,6%.

Na avaliação do secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Júlio, o crescimento exponencial do setor ainda deve se prolongar por muitos anos. “Ainda temos grandes obras como a montadora da Fiat, anel viário da Região Metropolitana do Recife, Copa de 2014, plataforma logística de Salgueiro, ramal do Agreste e tantas outras. O ritmo não vai desacelerar tão cedo”, aposta.

Um desempenho digno da China
Publicado em 04.03.2011

Adriana Guarda

adrianaguarda@jc.com.br

Pode parecer ufanismo ou mais uma demonstração da megalomania pernambucana, mas não é. O PIB do Estado, divulgado ontem pela Agência Condepe/Fidem, é o maior de uma série histórica de 15 anos e cresce a taxas chinesas. Se a economia mais dinâmica do mundo cravou expansão de 10,3% em 2010, a de Pernambuco ficou apenas um ponto percentual atrás, com taxa de 9,3% sobre 2009. A performance é melhor que a brasileira (7,5%) e superior a dos demais países dos Brics, levando em consideração que a Rússia cresceu 3,8% e a Índia 8,6%.

O bom desempenho da economia estadual foi registrado em todos os três setores analisados, mas a indústria foi a locomotiva do crescimento, com taxa de 12,5%. Serviços e agropecuária apresentaram expansão equivalente, com variação de 8,7% e 8,3%. “Nossa geração está presenciando um momento histórico na economia deste Estado. Houve um tempo em que o PIB era negativo ou que a grande comemoração era conquistar uma taxa de 3%”, recorda (sem saudade desse passado), o secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Júlio, que fez questão de comentar o recorde do PIB.

Antes da consolidação dos dados (o PIB é calculado primeiro por dados preliminares), a taxa brasileira em 2009 tinha sido de -0,2% e a de Pernambuco de 3,8%. Com o fechamento dos dados, Pernambuco apresentou um desempenho ainda melhor (mesmo em um ano de crise econômica mundial), com taxa de 5,2%. “Isso aponta para uma arrancada ainda maior da nossa economia, demonstrando que o Estado foi menos sensível à conjuntura externa”, observa o diretor-presidente da Agência Condepe/Fidem, Antônio Alexandre. A implantação de empreendimentos estruturadores sustentou a expansão econômica local.

A performance da indústria influenciou positivamente o setor de serviços. O comércio assistiu a um crescimento de 12,7% nas vendas. Os transportes, com destaque para logística, registraram uma alta de 14,6% sobre 2009. A “importação” de profissionais de outros Estados para driblar o apagão de mão de obra local provocou um aumento de 12,9% no segmento de alojamentos e alimentação e de 11,6% nas atividades imobiliárias, aluguéis e financeiras.

Na agropecuária, culturas com peso importante no setor, como uva (6,1%) e manga (6,3%) apresentaram crescimento. O resultado negativo na atividade foi provocado por problemas climáticos, com a chuva que castigou a Zona da Mata e Agreste derrubando a produção de leite no Estado em 8%. “Mesmo com uma recuperação no segundo semestre, o desempenho não foi suficiente para reverter o resultado negativo”, destaca o economista Maurílio Lima, da Condepe/Fidem.

Governo prevê uma expansão de 8% a 10% para 2011
Publicado em 04.03.2011

O governo de Pernambuco estima um crescimento entre 8% e 10% para o Estado este ano, que poderá alcançar o valor de R$ 100 bilhões. A projeção é baseada na aceleração do desempenho a partir de 2003 e do descolamento maior em relação à média nacional a partir de 2007 (veja arte). O desafio que a gestão Eduardo Campos se impôs é fazer o crescimento trazer melhoria na qualidade de vida da população.

“Nós comemoramos o desempenho recorde do PIB e percebemos uma correlação com o esforço na construção desses números e queremos trazer para sociedade um ambiente melhor”, diz o secretário de Planejamento, Alexandre Rebelo, destacando o aumento dos investimentos em várias áreas do governo na primeira gestão socialista.

Pelos números da Secretaria, na comparação entre 2003 e 2006 e os últimos quatro anos, a média anual de investimentos saltou de R$ 688 milhões para R$ 1,6 bilhão, crescimento de 144%. “Na área de educação passamos de uma média de R$ 61 milhões para R$ R$ 151 milhões. Na saúde saímos de R$ 82 milhões para R$ R$ 151 milhões e na segurança, de R$ 24 milhões para R$ 64 milhões”, compara Rebelo. Se por um lado o governo comemora, por outro admite os desafios que a expansão impõe. “Sabemos que a arrecadação de impostos não cresce na mesma velocidade da chegada dos empreendimentos. Por isso, precisamos aumentar a captação de recursos”, avalia Geraldo Júlio.

JC do dia 04.03.2011

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